1. A existência de Deus explica a origem do universo
Alguma vez você se perguntou de onde surgiu o universo? Por que existe algo ao invés de nada? Alguns acreditam que o universo é eterno e ponto final. Mas essa não é uma resposta racional. Basta refletir: se o universo nunca teve um começo, significa que houve infinitos acontecimentos no passado. A matemática, entretanto, demonstra a incoerência de afirmar a existência real de um número infinito de coisas. Por exemplo, quanto é infinito menos infinito? De acordo com a matemática, o resultado é contraditório. Isso mostra que o infinito é apenas uma concepção mental e não algo que existe na realidade. David Hilbert, possivelmente um dos maiores matemáticos do século XX, afirma: "O infinito não existe no mundo real; não existe na natureza e não fornece base legítima para o pensamento racional. O infinito existe apenas no mundo das ideias."i
Considerando que os acontecimentos passados não são imaginários, mas fatos reais, o número de acontecimentos passados não pode ser infinito, de modo que há apenas uma conclusão lógica: o universo teve um começo. Surpreendentemente, essa conclusão vem sendo confirmada pela ciência moderna por meio de várias descobertas astronômicas e astrofísicas. Hoje temos evidências concretas de que o universo não é eterno, mas teve um início cerca de 13 bilhões de anos atrás por meio de um evento cósmico conhecido como Big Bang. Esse evento deu origem ao universo literalmente a partir do nada, isto é, toda a matéria e energia, inclusive o próprio espaço e o tempo, passaram a existir a partir dessa "explosão". Conforme explica o físico P. C. W. Davies, "o surgimento do universo, de acordo com a ciência moderna [...] não se trata apenas de impor ordem [...] sobre um estado de caos anterior; antes, estamos falando do surgimento de todas as coisas físicas literalmente a partir do nada".
Várias teorias alternativas têm sido propostas ao longo dos anos para tentar contornar essa conclusão, porém a teoria do Big Bang continua sendo a única alternativa plausível na comunidade científica. De fato, em 2003 os cientistas Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin provaram que nenhum universo em estado de expansão cósmica pode existir eternamente, mas deve necessariamente ter um início absoluto. Vilenkin afirma:
Diz-se que o argumento convence homens racionais, e a prova convence até mesmo os irracionais. Agora que temos a prova, os cosmologistas não podem continuar a se esconder atrás da possibilidade de um universo eterno no passado. Não há escapatória, precisam enfrentar o problema do nascimento cósmico.iii
Anthony Kenny, professor da Universidade de Oxford, exprimiu a questão de modo contundente: "A menos que sejam ateístas, os proponentes da teoria do Big Bang são forçados a acreditar que o universo surgiu do nada".iv Essa ideia, entretanto, não faz sentido, pois não é possível algo surgir do nada. Então por que o universo existe, ao invés de nada? De onde surgiu? Deve ter havido uma causa que o produziu. Esse argumento pode ser resumido da seguinte maneira:1. Tudo o que tem um começo tem uma causa.
2. O universo teve um começo.
3. Portanto, o universo tem uma causa.
Se as premissas 1 e 2 são verdadeiras, a conclusão é inevitável.
Considerando as circunstâncias envolvidas, esta causa que deu origem ao universo é uma entidade não-criada, imutável, eterna e imaterial. Não é criada porque, conforme observamos anteriormente, não é possível haver um regresso infinito de causas; é eterna (e, portanto, imutável, pelo menos em sua existência fora do universo) porque criou o tempo; e porque também criou o espaço, deve transcender a este; portanto, é um ser imaterial, isto é, não-físico.
Além disso, pode-se dizer que é um ser pessoal, pois de que outra maneira uma causa eterna produziria um efeito temporal como o universo? Se a causa fosse um conjunto inevitável e suficiente de estados e operações mecânicas, não poderia existir de modo independente do efeito. Por exemplo, a causa do congelamento da água está na diminuição da temperatura para menos de 0º centígrados. Se a temperatura tivesse permanecido abaixo de 0º centígrados desde o passado eterno, toda água que existe hoje estaria congelada desde a eternidade; nesse caso, seria impossível que a água tivesse começado a congelar apenas em um período finito de tempo atrás. Portanto, se a causa existe continuamente, o efeito também deve existir continuamente. A única forma de uma causa ser eterna e seu efeito ter início em determinado momento é supor que se trata de um agente pessoal que escolheu livremente produzir um efeito no tempo, sem nenhuma relação com circunstâncias predeterminadas. Por exemplo, um homem sentado eternamente pode decidir levantar-se. A partir disso inferimos não apenas uma causa transcendente para o universo, mas o próprio Criador.
É um fato extraordinário que a teoria do Big Bang confirme exatamente aquilo que os cristãos sempre acreditaram: no princípio, criou Deus o universo. Qual conclusão parece mais sensata: Deus criou o universo ou este surgiu do nada, sem causa?
2. A existência de Deus explica o ajuste fino do universo para sustentar vida inteligente
Durante os últimos 40 anos os cientistas descobriram que a existência de vida inteligente depende de um equilíbrio complexo e delicado de condições iniciais que surgiram com o Big Bang. Inicialmente os cientistas acreditavam que, independente de quais fossem as condições iniciais, mais cedo ou mais tarde a vida inteligente teria evoluído por si mesma. Hoje, porém, sabemos que a existência de vida inteligente depende de um conjunto inicial de condições ajustadas a uma proporção incompreensível e incalculável.
Este ajuste fino do universo aparece sob duas formas. Primeiro, ao expressarmos as leis da natureza na forma de equações matemáticas, observamos certas constantes, como a constante gravitacional. As constantes não são determinadas pelas leis da natureza, pois estas são compatíveis com uma ampla extensão de valores para aquelas. Segundo, além dessas constantes, existem certas quantidades arbitrárias estabelecidas a partir das condições iniciais que deram origem às leis da natureza (por exemplo, a entropia e o equilíbrio entre matéria e antimatéria no universo). Todas estas constantes e quantidades se encaixam num âmbito estreitíssimo de valores capazes de sustentar vida. Caso fossem alteradas apenas um milésimo, o equilíbrio seria destruído e a vida não existiria.
O físico Paul Davies calculou que uma pequena mudança de uma parte em 10100 na força gravitacional ou na força nuclear fraca seria o suficiente para impedir o surgimento da vida no universo. A constante cosmológica que impulsiona a inflação do universo (também responsável pela recém descoberta aceleração de expansão do universo) é fixada de modo inexplicável em torno de uma parte para 10120. Roger Penrose, da Universidade de Oxford, calculou que a possibilidade de a baixa entropia do Big Bang existir por acaso é da ordem de um para 1010(123). Penrose comenta: "Não consigo pensar em nenhuma outra coisa na física cuja precisão se aproxime, ainda que remotamente, de uma cifra como 1 parte para 1010(123)".v E não se trata simplesmente de cada uma dessas constantes ou quantidades apresentar ajustes exatos; é preciso que suas proporções entre si também sejam ajustadas. Como se vê, são improbabilidades multiplicadas por improbabilidades, gerando números incompreensíveis que desorientam a mente.
Há três possibilidades para explicar a presença desse extraordinário ajuste fino no universo: necessidade física, acaso ou planejamento. A primeira alternativa aposta na descoberta da "teoria sobre tudo" que poderia explicar o universo como um todo. Em linhas gerais, essa teoria propõe que tudo que existe deve acontecer exatamente da forma como observamos, de modo que não há possibilidade de o universo não ser ajustado para permitir vida. A segunda opção, ao contrário, declara que o ajuste do universo ocorreu por acaso: ou seja, é mera coincidência o fato de a vida ter surgido nesse universo (como diriam alguns: "Tivemos muita sorte!"). A terceira alternativa rejeita as anteriores e propõe a existência de uma mente inteligente por trás do planejamento cósmico, isto é, alguém planejou o universo com o objetivo específico de permitir o desenvolvimento de vida inteligente.
Em busca do razoável
A primeira alternativa (declarando que não há qualquer razão física para os valores verificados nas constantes) parece demasiado implausível. Conforme declara Paul Davies:
"Mesmo que as leis da física fossem singulares, disso não procede que o universo físico seja singular em si mesmo [...] às leis da física devemos acrescentar as condições cósmicas iniciais [...] Não há nada nos atuais conceitos de 'leis das condições iniciais' sugerindo, mesmo remotamente, que sua consistência com as leis da física implique singularidade. Pelo contrário [...] parece, portanto, que não há necessidade de o universo ser do jeito que é; poderia ter sido diferente".vi
Por exemplo, o candidato mais promissor à TT (teoria sobre tudo, teoria das supercordas ou teoria-M) não prevê a singularidade de nosso universo. Na verdade, a teoria das supercordas permite algo em torno de 10500 universos diferentes que poderiam ser governados pelas atuais leis da natureza, nada contribuindo para explicar os valores e quantidades indispensáveis ao nosso universo.
Quanto à segunda alternativa propondo que o ajuste fino do universo surgiu por acaso, a probabilidade do surgimento espontâneo de um universo capaz de sustentar vida é tão minúscula que não pode ser considerada do ponto de vista racional. Mesmo que exista um "cenário cósmico" e esse contenha enormes quantidades de universos favoráveis à vida, ainda assim o número desses universos seria incomensuravelmente minúsculo em comparação ao total, a ponto de sua existência ser absurdamente improvável. Mesmo assim, alguns costumam dizer: "Mas poderia ter acontecido!". Quem pensa assim nunca parou para refletir sobre a extraordinária exatidão do ajuste fino necessário à vida. Essa pessoa nunca aplicaria a hipótese do acaso a nenhuma outra área de sua vida (por exemplo, ninguém recorreria ao acaso para explicar, ao acordar pela manhã, o aparecimento de um carro na garagem que estava vazia na noite anterior).
Alguns tentam escapar do problema dizendo que não deveríamos ficar surpresos com o ajuste fino do universo, pois se não tivesse acontecido, não estaríamos aqui para nos surpreender. Ora, é evidente que estamos aqui; portanto, era de se esperar que o universo fosse ajustado para nos receber. Esse raciocínio, todavia, é uma falácia que pode ser facilmente demonstrada por meio de uma analogia. Imagine que você está em viagem no exterior e de repente é preso por um policial que lhe acusa de porte de drogas. Sem qualquer explicação, o oficial o conduz para ser executado diante de 10 atiradores treinados, todos apontando armas para o seu coração. Alguém grita a ordem: "Preparar! Apontar! Fogo!"; você ouve o barulho ensurdecedor dos disparos e momentos depois percebe que continua vivo e sem nenhum arranhão, pois todos os atiradores erraram! Qual seria sua conclusão? Será que pensaria: "Não devo ficar surpreso. Afinal, se não tivessem errado eu não estaria aqui para ficar surpreso. Como ainda estou vivo, era de esperar que todos errassem". Sem dúvida não é isso o que pensaria. Pelo contrário, sua primeira reação seria suspeitar que os atiradores erraram de propósito e tudo não passou de uma armação. Você não ficaria surpreso se pudesse observar que está morto, mas certamente ficaria bastante surpreso se percebesse que está vivo! Da mesma forma, considerando a gigantesca improbabilidade do ajuste fino observado no universo, a atitude mais racional é concluir que não aconteceu por acaso, mas por planejamento.
A fim de resgatar o acaso, entretanto, os proponentes dessa teoria foram forçados a aderir à hipótese da existência de um número infinito de universos aleatórios agrupados dentro de uma espécie de multiverso onde nosso universo estaria inserido. De acordo com essa teoria, em algum lugar nesse multiverso infinito seria possível surgir, por acaso, universos cujas leis da natureza permitissem o desenvolvimento da vida, exatamente como aconteceu conosco. Essa hipótese, contudo, apresenta no mínimo duas falhas gravíssimas.
Em primeiro lugar, não temos nenhuma evidência de um multiverso. Aliás, não há como provar a existência de outros universos. Ademais, convém lembrar a demonstração de Borde, Guth e Vilenkin, provando que qualquer universo em estado de expansão cósmica contínua não pode ter existido desde o passado infinito. Esse teorema também se aplica ao multiverso. Considerando que o passado é finito, apenas um número finito de universos poderia ter surgido até esse momento. Por conseguinte, não há como saber se universos capazes de sustentar vida poderiam emergir desse multiverso.
Em segundo lugar, se nosso universo fosse um membro aleatório de um conjunto infinito de universos, haveria uma probabilidade gigantesca de vivermos em um universo muito diferente do que de fato observamos. Roger Penrose calculou que a probabilidade de nosso sistema solar formar-se por meio de colisões aleatórias de partículas é muito maior que o surgimento espontâneo de um universo capaz de sustentar vida.vii Portanto, se nosso universo fosse um membro desse multiverso, haveria uma probabilidade enorme de estarmos vivendo em um universo não muito maior que nosso sistema solar. Além disso, a essa altura seria possível observar acontecimentos extraordinários, como cavalos alados surgindo e desaparecendo por meio de colisões aleatórias ou máquinas de movimento perpétuo, uma vez que a ocorrência dessas manifestações seria muito mais provável que todas as constantes e quantidades das leis da natureza surgirem por acaso a partir de um número praticamente infinitesimal de universos capazes de sustentar vida. Universos esdrúxulos como esses seriam mais abundantes nesse multiverso que mundos como o nosso, de modo que já deveríamos tê-los observado. A ausência de tais observações demonstra a invalidade da hipótese do multiverso. É muito provável, portanto, que esse multiverso não exista (pelo menos de acordo com a concepção ateísta).
Portanto, a concepção cristã (o universo foi planejado por um ser inteligente) faz mais sentido que a concepção ateísta (o universo surgiu por acaso). Este segundo argumento pode ser resumido da seguinte forma:
1. O ajuste fino do universo se deve a uma de três alternativas: necessidade física, acaso ou planejamento.
2. Verifica-se que não surgiu por necessidade física ou acaso.
3. Portanto, ocorreu por planejamento.