Primeiro, é necessário nós entendermos como se dá a inteligência divina.
Classicamente, Deus é compreendido como Ente que é o seu próprio Ser. Ou seja, Deus é aquilo que ele é.
Tendo isso como base, é entendido que Deus é puro ato e nunca uma potencialidade. Mas, o que isso significa?
Significa que Deus sendo seus próprios atributos, jamais lhe será acrescido algo que ele tenha que desenvolver e assim de modo saber e aplicar. Ou seja, em Deus não se admite quaisquer tipos de compreensões que demandam algum tempo para ele aprender algo novo. Pois a inteligência divina funciona eternamente com o conhecimendo desde sempre de quem ele é.
Com efeito, é necessário que Deus compreenda a si mesmo, não por elementos diferentes dele mesmo tais como funciona em nós, mas sim pela sua própria essência. Por que se ele compreendesse quem ele é por meios diferentes dele mesmo, ele estaria acarretando um novo conhecimento, o que é incompatível com sua eternidade e com a sua onisciência. Logo, como ele é puro ato(é o seus próprios atributos) segue que ele compreende tudo em sua própria essência que é o seu ser.
Desta forma Tomás de Aquino defende que a intelecção de Deus seja ele mesmo. Onde a sua compreensão e sua inteligência são a mesma coisa. Assim como a essência é o mesmo que o seu ser. Como Aquino comenta:
"Deus compreende através da sua própria essência, e a sua essência é o seu ser. Logo, a sua inteligência é a sua própria intelecção. E assim, pelo fato de Deus entender, não se lhe atribui composição, pois n'Ele não há distinção entre a inteligência, o ato de compreender e as "imagens inteligíveis". Estes 3 elementos não outra coisa senão a própria essência de Deus."
Tendo esses 3 elementos como sendo o próprio Deus, não ficará difícil compreender a divindade de Cristo. Este por sua vez é descrito pelo Apóstolo João, como o Logos, ou o Verbo divino.
Muitos grupos unitaristas, compreendem que Cristo foi uma criação de Deus, assim como o restante de suas criaturas, tais como homens e animais. E interpretam o Filho de Deus realmente como sentido igual ao de geração carnal. Onde eu passo a existir a partir de alguém.
Contudo, o Verbo descrito pelo apóstolo não se refere a geração finita do Pai ao Filho, mas sim sobre a inteligência divina. A Palavra ou o Verbo, nada mais é do que a expressão da intelecção divina. Aquino explica:
"Como aquilo que é concebido na inteligência é uma imagem da coisa conhecida, representante da sua forma, aparece como se fosse um filho desta. Quando a inteligência conhece algo distinto de si, a coisa conhecida é como um pai do verbo concebido na inteligência. A inteligência, neste caso, exerce mais a função de mãe, enquanto deve dar-se para que nela se realize a concepção. Quando, porém, a inteligência se conhece a si mesma, o verbo nela concebido é comparado como o filho ao pai. Como estamos nos referindo ao Verbo que se forma quando Deus se conhece a Si mesmo, convém que este Verbo seja também comparado a Deus, de quem é Verbo, como o filho, ao pai".
Como visto se o Verbo é a própria imagem inteligível divina, logo não há diferenças entre ela e Deus. Pois a imagem inteligível divina é o próprio Deus.
Tendo compreendido que somente Deus possui um Summun Bonnun, logo as suas criaturas não nasceriam conhecedoras de Dele. E por isso estariam alienadas do mesmo, podendo seguir caminhos tortuosos sem o conhecimento da verdade. E vendo isso, Deus com sua bondade e altruísmo encarna o seu Logos, ou seja a sua imagem inteligível, para retirar o homem de tal alienação eterna, pois somente a inteligência divina que não se difere de sua essência revela quem Ele é aos homens. É por isso que Cristo diz:
"Eu sou a verdade, ninguém vai ao Pai senão por mim".
Ou seja, ninguém conhece a Deus, sem que antes este revele a verdade dele mesmo, através de sua Palavra ou Verbo...
É por isso que o apóstolo diz:
"Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou".
Ou seja, a imagem inteligível de Deus que é uma geração de origem eterna do intelecto do Pai, revela quem este o é.
Por isso a confissão católica, "Gerado, não feito".
Paulo reforça a idéia em sua Carta aos Colossenses:
"...O qual é a imagem do Deus invisível..."
Portanto, fica claro que a divindade de Cristo é evidente. E que seu atributo de Filho, nada mais é do que a analogia de uma imagem refletida pela "espelho" de Deus, que no caso não se difere por natureza.
Conclusão
O critiquismo realizado por alguns grupos cristãos, sob a defesa de que possa haver um politeísmo, nada mais é do que um atestato de ignorância quanto ao entendimento da doutrina da trindade. Basta demonstrar ao objetor que a comparação realizada pelo mesmo, nada se passa de uma falsa analogia. Pois a imagem de Deus, nada mais é do que ele mesmo, e não outro ser divino.
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