É muito comum em comunidades do orkut ou em outros fóruns da internet, teístas se depararem com objeções neoatéias de que Deus pode ser mal ou neutro, e que tudo o que faz é fruto de sua maldade ou neutralidade.
Primeiro, é preciso se deparar que o conceito clássico de Deus. De que este é o maior ser que se pode conceber, sem precisar criar ninguém. Conforme, no Post "Trindade", é que se X>Deus, X=Deus, se X<Deus, X=/=Deus.
Tendo esse conceito entendido, é plausível inferir a maldade em Deus?
Uma atitude má por exemplo é você agir arbitrariamente por algo que você não tem, logo Deus não poderia ser mal, pois se ele é completo , ele não precisa de agir arbitrariamente por algo que não tem. Seria como, eu ser onisciente e ir a escola para aprender algo que eu não sei. O que é irracional.
Essa é uma primeira objeção à técnica. Mas, nos aprofundemos mais:
A maldade em si, pode ser vista sem que um ato malévolo contra um terceiro seja feito? Imagine-se Você, não tendo ninguém a sua volta, porque só existe você. É racional nós dizermos que você é mal? É evidente que não.
Então um "Deus mal" precisaria criar alguma coisa para completar a sua essência, pois lhe falta alguma coisa. Mas ops, o que temos como conceito de Deus?
"...este é o maior ser que se pode conceber, sem precisar criar ninguém..."
Então aqui temos uma segunda objeção, que torna impossível a maldade ser infirida a Deus.
Mas, ainda pode surgir o seguinte questionamento:
"Deus pode criar para mostrar que é bom, porque bondade não pode ser vista sem que haja um terceiro".
De acordo com o Post "Trindade", vimos que um Deus subsistindo em uma unidade simples, se torna simplesmente impossível de ser Deus. Pois ele não conheceria em si mesmo o que é ser amado ou amante.
Vejamos o que Tomás de Aquino diz, sobre a relação do amado e do amante na relação interpessoal de Deus:
Como o ser inteligente tem em si a coisa conhecida enquanto ela é objeto da intelecção, assim também a coisa amada está no amante, enquanto é amada. O amante é, de certo modo, movido pelo amado por algum impulso intrínseco. Como o movente deve estar em contato com a coisa que recebe o movimento, assim é necessário também que o amado esteja intrinsecamente no amante. Como Deus se conhece a Si mesmo, é necessário que também se ame a Si mesmo, pois o bem conhecido pela inteligência é amável por si mesmo. Por conseguinte, Deus está em Si mesmo como o amado no amante.
Vemos portanto, que a relação triunitária de Deus nos permite evidenciar o Amor, pois os 3 se relacionam de modo amável. Sem ele precisar criar ninguém. Com efeito, o mesmo se dá no caso da bondade. Onde na relação interpessoal, a bondade pode ser patenteada sem ele criar ninguém. E portanto o ato de criar, não seria para completar a sua essência, mas por simples altruísmo. E este por sinal, é o ato de fazer o bem, sem quaisquer intuitos de recompensa. E esta no caso, seria o complemento que "deus" queria ter em si mesmo.
Portanto, fica evidenciado que ser mal é uma descrição simplesmente desnecessária para Deus. Pois ser mal, é assinar a "carteirinha" de incompleto, de impotente do "clube dos malvados".
Vejamos agora, o caso na Neutralidade. Deus pode ser neutro?
Esses dias eu estava debatendo com um colega ateu no orkut, e ele afirmou que um Deus completo para ele é aquele que é neutro, pois ele demonstraria assim que está acima dos preceitos do bem e do mal.
Essa é o velho dito "Está acima do bem e do mal".
Contudo, o povo se esquece que velhos bordões ou jargões nem sempre são possíveis na lógica. Ao afirmar que se está acima do bem e do mal, subentende-se que há um meio termo entre os dois. Agora apliquemos exemplos:
Onde está o meio termo moral entre estuprar uma menininha de 5 anos e o de não estuprar?
Se eu saísse com uma frase destas: "Eu estou acima do bem e do mal, não é problema meu, que se virem".
É visível que além de um ato jactancioso ou arrogante, a minha palavra já me define de que lado eu estou.
Ou seja, o Deus completo para o meu colega de orkut, seria nada mais, nada menos que um Psicopata. Onde a tal neutralidade se caracterizaria pela frieza, implicando pela falta de sensibilidade à compaixão, à justiça, ao amor, etc. Ou seja, ele já não seria tão completo assim, logo já não estaríamos falando do mesmo ser.
Apliquemos em outro exemplo:
"Estou acima da verdade e da mentira"
Novamente a pergunta, existe meio termo entre verdade e mentira? Se eu afirmo que estou acima de qualquer verdade ou mentira, eu já tomo tal conhecimento como verdadeiro para mim. Já demonstrando de que lado eu estou. Neste caso, eu também estaria sendo mentiroso, pois eu tomo como verdade uma mentira. Afinal, é contraditório eu dizer que estou acima da verdade, e ao mesmo tempo tomar essa frase como uma verdade para mim mesmo. Logo, eu não estaria acima de ninguém.
Conclusão:
Portanto, ao se deparar com essa técnica, basta demonstrar ao neoateu a incompatibilidade lógica de que há entre um Deus Completo com a maldade ou a neutralidade. Onde ambas, se caracterizam pela falta de alguma coisa, tornando-as assim incompletas.
De Trinitate: A Terceira Face Oculta de Deus
ResponderExcluirMuitos questionam a essência da personalidade de Deus com perguntas que deixam grandes dúvidas. Para chegarmos a Deus, é necessário termos como base; além dos dois pensamentos: Positivo e Negativo, devemos também entrelaçar-nos com o pensamento Neutro.
Com este recurso de linguagem/ pensamento compreenderemos melhor acerca de sua natureza oculta.
A Summa Theologica de Tomás inicia com a seguinte sentença: “Não podemos saber o que Deus é, mas sim; o que Ele não é” – Não se pode encontrar em textos de filosofia tomista, abrangência sobre tal pensamento, expresso por Tomás de Aquino em seu dialogo ao De Trinitate (Da trindade) de Boécio: Ele fala sobre os três graus do conhecimento humano sobre Deus.
Há diversas formas de entendemos a essência das coisas. Como dizia o filósofo (Aristóteles), citado por Boécio, “É próprio do homem culto exigir, em cada assunto, o rigor que comporta a natureza da matéria” (Sobre a Ética, livro III, capítulo IV).
Para entendermos o Espírito Santo (Neutro), temos que primeiro nos deleitarmos com o bem (Positivo) e mau (Negativo), pois a trindade de Deus é formada por estas três Potências – Positiva, Neutra e Negativa.
No primeiro grau, conhecemos Deus sobre a obra da criação; que ele é puramente benévolo (Positivo); no segundo grau, conhecemos Deus sobre a obra da criação; que ele é puramente malévolo (Negativo). Para chegarmos à trindade, é necessário emergirmos no Universo Trial, porque a Potência Neutra é a terceira face oculta de Deus.
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Seguindo um raciocínio livre, menos ignorante e menos temeroso ao que nos foram ensinados; podemos ter a certeza no livro I (Gênesis) que Deus antes de criar tudo; tinha de antemão uma essência puramente Neutra, pois somente no versículo 4, do livro I – Gênesis; Deus viu que a luz era boa, e separou a luz (Positivo) das trevas (Negativo).
Gênesis, Livro I
1. No princípio, Deus criou os céus e a Terra.
2. A terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas.
3. - Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita.
4. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.
5. Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: Foi o primeiro dia.
Todavia, podemos afirmar também que antes de Deus criar os céus e a Terra, apenas o NADA (Neutro) existia! De igual modo, somente quando Deus criou a luz; foi que ele teve a noção sobre as duas Potências luz (Positivo) e trevas (Negativo), separando-as.
Você diz que antes de Deus criar o universo Ele não tinha conhecimento do que é bom e oque é mal pois só existia a neutralidade. Esse argumento não vai contra a onisciência?
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